Radioatividade
Não, não, não
1966 - RCA Victor - Compacto

1 - Radioatividade
(Jorge Mautner)

2 - Não, não, não
(Jorge Mautner)

 

Radioatividade / Não, não, não
1966

Primeiras composições
(1958-1960)
A primeira música que eu lembro de ter composto foi em 1954, "Era uma vez/ Um vampiro bonito/ Que voava pra cá/ Voava prá lá/ Voava sem querer parar". Mas foi apenas em 1956, depois de ler o Padre Antonio Vieira, que eu descobri num estalo o meu estilo, não só literário, como de compositor. Em 1958, eu compus as minhas primeiras músicas de verdade, "Iluminação" (que é inclusive uma definição ideológica do pensamento do Kaos, e que foi acrescida posteriormente com referências a Bob Dylan, Gilberto Gil, entre outros), "Olhar Bestial" e "Quando a Tarde Vem". Nos meses seguintes, e enquanto estava escrevendo Deus da Chuva e da Morte, compus "A Bandeira do meu Partido" (que quando gravei no LP Anti-Maldito inclui uma última estrofe, falando dela entrelaçada com a bandeira brasileira, acrescentando o caráter nacionalista à pretensão internacional), "Chuva Princesa", "Hiroshima-Brasil", "Rock da Barata" (que eu gravei ao vivo em 1973, para o disco Phono 73) e "O Vampiro" (que Caetano Veloso gravou no fim dos anos 1970).

Jorge Mautner

Compacto
(1966)
Em 1965, eu gravei um compacto pela RCA-Victor, com a produção de Moracy Do Val, e acompanhado pelo grupo de folk-rock The Vikings (eram dois irmão que cantavam músicas deles e dos Everly Brothers). Este disco, juntamente com o livro Vigarista Jorge, motivaram a incursão do meu nome na lei de segurança nacional. Dois meses depois de lançado o compacto, cronistas de jornais, inclusive pelo falecido Sergio Bittencourt, filho do Jacob do Bandolim, e que era, junto com Nelson Motta, juri do Flávio Cavalcanti, denunciaram tanto ele como o meu livro como perigosa subversão trotzkista. Apesar disso, por ocasião da minha volta do exílio em 1971, fui encontrar Sergio Bittencourt, eu o perdoei, ele também, e nos abraçamos. A faixa "Radioatividade", que fala sobre a Terceira Guerra Mundial e da bomba atômica, causava muita estranheza pela sua temática, até por pessoas geniais e bem-pensantes, como Nara Leão, que disse a respeito: "o que tem o Brasil a ver com a bomba atômica?"

Jorge Mautner