Jorge Mautner em movimento
Editor César Resac, Salvador - 2004
"Jorge Mautner em movimento" é uma celebração ao positivismo que nos rodeia, é a esperança que devemos ter sempre, para tocar a vida, é a reativação do Kaos mautneriano e, fundamentalmente, é a alegria que reina invisilmente em cada amanhecer, faça chuva ou faça sol.
Este livro é o movimento de todos!
Autor: César Resac

Mitologia do Kaos - Obras Completas
Editora Azougue - 2002
Obra literária completa de Jorge Mautner. Não é à toa que o autor, desde seu primeiro livro, em 1962, afirmava que só uma leitura global da obra possibilitaria sua correta compreensão. Ao contrario de escritores cujos livros são independentes, Jorge mautner pertence à gama de autores que, na recorrência e dissonância, na síntese e no paradoxo, criam uma obra contínua, una e interligada. mais que proteus, o deus capaz de se transformar em qualquer forma, a quem é recorrentemente comparado pela sua capacidade e facilidade de uso de diversas mídias, jorge assemelha-se ao carvalho de Heidegger, permanecendo em suas transformações. Essas obras completas são um documento no sentido mais rico do termo. Não só pelo seu valor poético e artístico, mas pelo valor histórico, de relato pessoal de momentos e personagens marcantes destes últimos 50 anos, feitos por um artista sempre atento e perspicaz.
Juliano Di Fiore e Sergio Cohn, Editores do Mitologia do Kaos

para comprar: www.azougue.com.br

Floresta Verde Esmeralda
Inédito. Texto incluído na Mitologia do Kaos - 2002
"Tenho 58 anos e decidi romper com toda a minha vida anterior e sair à procura do tesouro do Eldorado.
Naquele entarecer o calor e a chuva produziam arco-íris e as folhas e os vegetais brilhavam num lusco-fusco de verde esmeraldas.
Ao olhar por acaso e também por intensão para um pequeno inseto que estava ali no chão, talvez fugindo de um inimigo natural, ou quem sabe de um inimigo de sua própria espécie, isto é, um canibal, eu pensei: Será que faz sentido toda essa minha procura???"

Fragmentos de Sabonete e Outros Fragmentos
Relume-Dumará - 1995
"Quem não presta são as desilusões do tédio sem remédio! O resto, nem tem bosta nem resposta! Você gosta? De levitar? Ou apenas zanzar em Zanzibar? Vieram aqui de mil lugares e a triste-tristeza uivou e urrou! Despedaçam-se os lares. Milenares e totais. Eu sou o teu ardor. De tardes e alardes de alardeador! A liberdade completa é um eterno curtir nas centrais do coração. É preciso ter coragem para realizar e perceber que em Persépolis e em Bagdá a torre de Babel era o papai-noel do pobres."

Miséria Dourada
Editora Maltese - 1993
"Sim, desde 1958, ano que estreei como escritor e compositor, poeta e pensador, nesta terra de Pindorama, que as lágrimas me vêm aos olhos, e quase me afogam e só param de rolar da minha face quando, como agora, consigo comunicar este escândalo de sofrimento e proclamá-lo aos quatro cantos do universo, para que alguém me ouça, quem sabe outros seres humanos que comigo e conosco decidam modificar para sempre este horror."

Fundamentos do Kaos
Ched Editorial - 1985
"Kaos = tensão dramática, enlouquecedora, purificadora, da existência. Tensão que aumenta sempre, tensão contraditória com estados de alma os mais opostos e diversos, convergindo sempre para uma tensão maior e para uma ampliação maior dos opostos em intensidade e fúria, aumentando assim a intensidade da tensão. Sado-masoquismo, depois um supra sado-masoquismo, e depois um supra-supra sado-masoquismo, e assim por diante, cosciência-intuição, razão-irracional, triste-alegre, luz-escuridão, Yang-yin, tudo aumentando sem cessar, em intensidade e fúria, aumentando assim a tensão que une os opostos em crescimento contínuo, crescimento que inclui recuos, mortes, não-crescimentos, assassinatos."

Sexo do Crepúsculo
Editora Global Ground - 1982
"Um dia escrevera num papel com letra caligrafada de criança: "Tenho a loucura dos inovadores, dos profetas, sou guiado pelo instinto, pelo impulso. Eu encarno a nação, meu povo, o povo eleito que deve triunfar e escravizar os outros povos que são inferiores ao meu que é o povo eleito pelos deuses para ser o guia da Humanidade. Sou o profeta da loucura, do sangue da raça superior e messias de uma nova religião pagã. Adoro os cães."

Poesias de Amor e de Morte
Editora Global Ground - 1982
"A eternidade fica onde desejamos
Que ela fique como sendo a realidade
É só querer e nos amamos e nos chupamos
Sendo que é isso que eu entendo por única e absoluta felicidade"

Panfletos da Nova Era
Editora Global - 1978
"Mas ordens divinas me ordenaram. Foi um sonho: anjo Gabriel apareceu de astronauta cantando o: Herói das estrelas. Parecia uma ironia cósmica. Ele de asas-atômicas cantando música minha e do Jacobina! E notei que ao invés de anéis de saturno nos dedos conforme a letra da canção, tinha asteróides e nebulosas girando ao redor de seu corpo e membros alados. Cor Azul. Olhos roxos. Cabelos verdes. Espadas de Luz."

Fragmentos de Sabonete
Editora Ground Informação - 1973
"Um homem vestido de negro, com os cabelos pintados em faixas azuis e vermelhas, recita versos acima do bem e do mal, enquanto baratas pequenas sobem por seu corpo.
O sol de verão é um êxtase vermelho, um limão velho e maduro sendo espremido num céu de soda azul. As causas do niilismo são os pr, xz, xxxx, i.i.i.."

O Vigarista Jorge
Von Schimdt Editora - 1965
"Eu sou o vigarista! Vigarista Jorge. Porém, porém... porém... e não havia mais nada que falar
Emocionalmente aí me tens: - Um recalcado que procura amor, carinho...
Escrevi a tragédia do século XX! Eu sou filho de Brecht. Com toda a escandalosidade e cafajestice do vulgar e do patético.
Eu sabia tudo. Eu o escritor poeta e herói. Eu que sei tudo sabendo menos que os outros."

Narciso em Tarde Cinza
Editora Exposição do Livro - 1965
"E Ele se beijava voluptuosamente. Sua língua tremia, seus lábios também. A água do mar lhe batia o pescoço. E quando vinha a onda ela cobria sua cabeça também e seus cabelos quando a onda já tinha passado derramavam água do mar. Os cabelos eram compridos e lindos. Ele era bonito. Por isto é que se beijava e se alisava. E depois ele beijava seu ombro e com a mão que não alisava seu corpo ele excitava seu órgão sexual. Ele beijava e passava a língua na carne dele mesmo com a carne mergulhada na água. E seu beijo então ficava com o gosto de dois sais: o sal da carne e o sal do mar."

Kaos
Editora Martins - 1963
"E muitos anos depois da morte dos três e da transformação da princesa-deusa em rocha pontuda onde o vento cantava, e também já depois da morte do cavalo cor de vinho que morrera de velho, passou um disco-voador pelo céu do Guarujá. Era branco e triste e luminoso. Ele parou de repente no ar, ficou alguns segundos no ar e foi só, depois foi embora, foi para longe, para o alto. Sumiu. Parecia um copo de uísque que voasse e girasse, só, triste, abandonado a sua estranha velocidade e paradas bruscas. Coitado! Eu tenho dó do disco-voador. E a terra estava ali guardando em seu seio de mãe o corpo do general, da garota de cabelos verdes, do seu amado, do cavalo cor de vinho e da princesa-deusa que voluntariamente quis pertencer à terra transformando-se em rocha pontuda onde o vento sempre canta."

Deus da Chuva e da Morte
Editora Martins - 1962
"Ouvir rock, ver a chuva, beijar uns lábios, deitar com uma ou outra carne na cama e sentir o sexo. Depois de horas e horas de pensamento e desistência e ridículo e paradoxos e uma vontade louca de viver! Mas o sono me puxando poderosamente. Então eu ouço Rock e olho a chuva e penso no sexo. Depois tudo se mistura porque na verdade tudo existe misturado: o sexo, o Rock, a chuva e então eu durmo. Eu durmo e durmo e sonho em ritmo de rock e vejo a chuva no sonho e o sexo se sobressaindo em todos os lugares. Sonhos agitados nos quais existe algo que eu esqueci de citar. Algo que balança que nem uma bandeirinha vermelha em meio à chuva, ao sexo e ao Rock. É a infância. Será que o Rock, a chuva e o sexo não passam de infância e que só a infância presente existia? Só a infância presente existe! Lembre-se disto: só a infância presente existe!"